terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cinema de gênero em decadência





Ao término da sessão de ”Matadores de vampíras lésbicas”,fiquei me perguntando quem iria gostar desse filme.Não,isso não é uma pergunta com caráter filosófico e nem uma forma de destilar veneno sobre a obra.É uma pergunta simples e direta,sobre quais pessoas que eu conheço,ou que tipo de pessoas iriam gostar.Me perguntei isso porque eu nem achei o filme tão ruim assim.Não vi sequer uma criticazinha positiva quanto ao filme.E realmente aquela ediçãozinha videoclíptica e que abusa de câmera acelerada/lenta é um câncer no cinema.Mas achei o filme divertidinho,se reconhecendo o tempo todo como bobagem e fazendo piadas como tal.


Isso me fez pensar na minha pergunta,que tipo de pessoa eu sou então?pra tipo de pessoa esse filme foi feito?Quando essa última pergunta me veio a cabeça,me dei conta no que pode ser um dos motivos da decadência do cinema de gênero.O fato deles só serem feitos praticamente a quem é muito fã daquele gênero e daquelas regras que ele exerce.Me refiro apenas ao cinema de gênero pois os filmes ditos “inclassificáveis” são outra história.O grande mérito que um filme de gênero pode ter é conquistar alguém que não seja fã dele.Ou seja,ele tem que ter algo além das suas regras já pré-determinadas.O caso é que hoje em dia está difícil(não to comparando com antigamente),eles só agradam a quem curte muito ao gênero.Por exemplo,eu sou um grande fã de suspenses “whodunit”(filmes em que tem um assassino mascarado e que ele só se revela ao fim),por isso acabei gostando do fraquíssimo Pacto secreto.Gostei,mas tem trocentas falhas,é clichê toda a vida,só mesmo pra quem curte o gênero.Reconheço que é uma merda.Idem para o Matadores de vampiras.Eu gosto de filmes debochados,que se reconhecem como porcaria e que praticamente escancaram ao espectador que estamos ali vendo um filme,que não se preocupe com realismo.É o caso dessa bobagem,que pelo menos me divertiu.Já não gostei por exemplo de G.I.Joe que é daqueles filmes blockbuster de ação da pior espécie.Conheço quem tenha gostado e reconhecido que é apenas uma bobagem.Gostou mesmo porque já curte aquela fórmula.


O que eu quero dizer é que a maioria do que se vê por aí feito em estúdio,é isso.Filmes muito restritos a um público.Um filme como Bullitt,pra citar um exemplo,não é um filme que agrada apenas a fãs de cinema policial.Qualquer um que entenda mínimamente de edição em cenas de ação e de construção de tensão dentro da narrativa,vai gostar.O exemplo é de um filme de 40 anos atrás,mas pode se encaixar,sei lá,no Amantes do James gray(que é desse ano),que agrada muito mais do que pessoas que gostem de filmes que tenham romances como principal elemento na narrativa.É um filme maravilhoso(meu favorito do ano),e que muitas pessoas entendidas que conheço e que tem preconceitos com “filmes de amor”(não que ele se encaixe exatamente num gênero,mas vá lá),se renderam ao trabalho magnífico do Gray.


Infelizmente,esse e mais alguns são exceções num mar de mesmices que são vomitadas diariamente hoje em dia pelos estúdios.A impressão que dá,é que você já sabe se vai se irritar ou não vendo o filme,só de assistir o trailer.É só ver se aquilo que está nele,costuma te agradar.E isso é péssimo.


Foto:Matadores de vampíras lésbicas.

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quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Beatles Remasterizados



Já tinha boa parte da discografia referente a segunda fase dos Beatles ( só não tenho o "Let Be"), mas com o lançamento da discografia completa remasterizada digitalmente fui obrigado a recomprar os discos que já tinha... e quanta diferença! a sonoridade do quarteto está mais viva não só para os ouvidos apurados! sem contar o projeto gráfico luxuoso! Todos os cds possuem um minidocumentário sobre o respectivo álbum... enfim... trabalho impecável do pessoal da Abbey Road.

Nunca fui fã da primeira fase dos Beatles mas isso é uma opinião muito pessoal e que está mudando... o valor da obra dos rapazes de Liverpool é inestimável sendo impossível entender a música pop sem uma boa audição dos discos deles seja a primeira ou segunda fase. Claro que a segunda fase é muito mais instigante, criativa, revolucionária mas a fase iê iê iê tem também seu caráter inovador dentro do contexto musical da época.

Então é isso... se você tem os cds com a antiga remasterização, compre tudo de novo! Se você não tem ou nunca se interessou pelo som da banda, está aí uma boa oportunidade de conhecer melhor a maior banda de todos os bandas.

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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sinta a Música

Fantástico, não?
Não estou achando o site que vi essas peças. Achei tão criativas e geniais que na empolgação nao me prendi a detalhes.
Em breve darei os devidos créditos.

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domingo, 25 de outubro de 2009

Morte do cinema?


Assisti esses dias o documentário do diretor alemão Win wenders,”Quarto 666”.A premissa instigante é a seguinte:Aproveitando a presença de vários diretores importantes(e diferentes em suas obsessões)no festival de cannes em 82,Wenders propõe:.Colocar cada um dos cineastas selecionados(não lembro exatamente quantos são,mas tinha gente do naipe de Monte hellman,Antonioni e Herzog) para darem suas opiniões sobre qual é o futuro do cinema.Como é uma pergunta aberta,a forma como eles interpretam a pergunta,é obviamente diversa..Os diretores ficam sozinhos nos quartos,apenas com a câmera,e tem no máximo 10 minutos para se expressarem.Alguns respondem em bem menos tempo que isso,como um cineasta Filipino”Pra eu responder essa pergunta eu primeiro preciso me perguntar qual é o futuro de meu país”.Entre respostas completamente diferentes,com visões otimistas ou não,fiquei me perguntando o exato motivo daquela preocupação toda.Eu não estava naquele contexto,mas me desperta a curiosidade eles estarem se perguntando isso justamente 2 anos depois do fim da década mais transgressora,prolífica e interessante do cinema.

Acho que se essa pergunta tivesse sido levantada no fim da década de 80,eu não teria me espantado tanto,pois a década de 80 inegavelmente foi muito menos interessante que as de 60 e 70.Creio que quando Wenders pensou nessa pergunta,a sua real preocupação era mais direcionada ao cinema “artístico” (eu simplesmente odeio esse tipo de definição,mas vá lá),que com a chegada do conceito de cinema “industrial”,teoricamente estaria ficando de lado,e não a forma como alguns interpretaram,de que a tecnologias novas(TV e VHS)acabariam com o cinema no sentido de espaço.Ou seja,entendi que a preocupação do Wenders era com a qualidade do cinema,e não com a sua extinção.Aliás,provavelmente o convite para o Spielberg comentar no documentário,seja uma tremenda ironia por parte do Wenders,pois justamente com o mesmo Spielberg que o cinema ganhou o conceito de blockbuster,a principal razão para dizerem que a qualidade do cinema decaiu com o tempo.O que me incomoda nesse tipo de pergunta,mesmo que eu ache a discussão interessante,é que sempre quem tem uma visão extremamente pessimista,me passa uma absoluta sensação de comodismo.Tem muito filme interessante sendo lançado anualmente,basta saber procurar.

Enfim,o documentário é bacana,vale pelas opiniões interessantes do Antonioni,do próprio Spielberg e principalmente do Herzog que foi o mais engraçado”Deixa eu tirar meus sapatos,pois essa pergunta deve ser respondida descalço”.E vale também lembrar que nesse mesmo ano,Wenders já tinha feito seu testamento sobre a morte do cinema na obra-primíssima “O Estado das coisas”.


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SHOW DO MÓVEIS COLONIAIS DE ACAJU



A grande banda (em todos os sentidos possíveis) Móveis Coloniais de Acaju voltará ao Rio para mais um de seus explosivos shows no dia 19 de novembro na Marina da Glória. Trata-se do Festival Universitário MTV. Tive a oportunidade de assistir ao show de lançamento do novo disco dos caras, o C_mpl_t_, no Circo Voador, e garanto ser um evento imperdível. A vitalidade da banda é contagiante e o som, que mistura de forma brilhante rock e ritmos brasileiros e do leste europeu, é de altíssima qualidade. Para quem ainda não conhece, está aí uma boa oportunidade.

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sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Pérolas da Propaganda

O site do desencannes possui um acervo de pérolas da propaganda. Peças que foram feitas no ócio criativo das agências de publicidade porém não podem ser divulgadas devido ao seu teor altamente irônico, sarcástico, tendendo ao absurdo. Abaixo seguem alguns exemplos. Vale a pena dar uma conferida no site.











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CENTRAL


(Foto retirada de www.cbtu.gov.br/.../tue_relogiocentral_jpg.htm)

Poesia inspirada nos meus desembarques diários na Central do Brasil.

Central

Os pés na plataforma,
descarr-ilhados
de consciência,
apressam-se como máquinas;

confundem-se em caos
atrelados a destinos
artificiais
como trens nos trilhos.

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