Não sou exatamente um fã do Marcelo Janot,mas achei esse texto sobre "A origem",que ele postou no seu blog,muito bom e que vale dar uma lida.
Não concordo exatamente com tudo que ele diz(não que precise),mas acho interessante situar o filme em sua devida posição.É um belo exemplar de filme de ação/ficção e só.Se isso é pouco ou não(pra mim não é),depende de cada um.É que eu,assim como ele também,defendo que o filme não é obra-prima,genial,ou coisa parecida.Eu particularmente acho que ele perde até pra filmes como "O vingador do futuro",que envolve esses 2 gêneros e trabalha com noções de realidades paralelas também.
Link pro texto(é bem curtinho):
http://blog.telecine.globo.com/cultblog
terça-feira, 10 de agosto de 2010
Inception(part deux)
quinta-feira, 27 de maio de 2010
“O mundo está cada vez menor com o cinema de Hollywood, onde os filmes se parecem com tantos outros, e vi nesse olhar algo que eu nunca tinha visto antes. O filme tem uma idéia maravilhosa de eternidade,pessoas que não têm forma e onde o tempo se expande”.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Cannes

"Eu só faço um filme quando ele é o único recurso para contar uma história. Se eu pudesse escrever uma história, eu não faria um filme."
A frase é auto explicativa e sintetiza perfeitamente a minha visão de cinema.Ela foi dita pelo novo vencedor de cannes,Apichatpong Weerasethakul,que prefere ser chamado apenas de "Joe",reconhecendo que para nós ocidentais,é complicado pronunciar esse palavrão.
Só vi 2 filmes do cara(um até incluí na minha lista dessa década),mas deu pra sacar que é um diretor bem diferente e interessante,principalmente comparando o que se vê por aí.
E essa frase mostra que os pensamentos dele estão num ótimo caminho.
Parabéns pra ele,que o filme passe no festival do Rio(bem provável depois da vitória) e que o filme seja tudo isso mesmo(teve crítico dizendo que é o melhor filme já feito,não estou brincando)
Parabéns Joe!
PS:Melhor coisa que o Tim burton fez em anos,já que ele era o presidente do júri.
segunda-feira, 29 de março de 2010
Top 20 década 80 parte 2
Taí,o fim da lista da década de 80.Fiquei contente com ela toda.A década é excelente e consegui colocar só filmes que sou apaixonado mesmo.Todos tem um grande valor pra mim.

Fellini subestimadíssimo.Muitos alegam que é um sub Amarcord,o que nunca entendi muito bem,pois são filmes bem diferentes.Todo o humor,a estranheza dos personagens e o carinho por eles,está aqui,no último grande filme do meu diretor favorito(mentira,meu preferido é o Kubrick)
Voyerismo na veia e o inconsciente humano se sobressaindo na ação dos personagens.Combinação explosiva dirigida pelo mestre Lynch.”I will fuck anything that moves” é a frase da década,dita pelo insano Hopper em seu melhor papel no cinema.
Vi uma vez apenas,há 4 ou 5 anos e foi o suficiente para me marcar profundamente e me entusiasmar com o cinema europeu.To louco pra rever(não consigo baixar,comprarei o dvd R1 em breve) e pretendo até fazer uma crítica só dele aqui.
Tive a ótima oportunidade de vê-lo no cinema,numa película maravilhosa.O filme tem imagens fantásticas,o que é de praxe no cinema do Jodorowsky,sempre muito preocupado com o impacto visual.O filme ainda tem muito de Hitchcock e Argento(a principal morte do filme,sem sombra de dúvidas,é uma das mais engenhosas que me lembro)

Haneke encarnando Bresson,que é provavelmente o seu papa.A vida monótona da classe média nunca foi mostrada de maneira tão brutal.A semelhança da foto com "o Dinheiro" do Bresson não é coincidência.
Até breve!
sábado, 27 de março de 2010
Top 20 década 80 parte 1

A compilação dos filmes de terror e das fábulas.Faz o livro(posso falar pois já li),parecer um desenho Disney.Creio que Stephen king tenha ficado com raiva do Kubrick por inveja.
Revi a pouco tempo e ta merecidamente na lista dos meus 20 favoritos.O final me impactou mais ainda e os detalhes sonoros do filme são assombrosos,o trabalho do De palma aqui é basicamente um dos meus ideais de cinema.
Toda a paixão insandecida de Godard pelo cinema,literatura,pintura(arte em geral)e pelo amor,se traduz em plenitude aqui.Rivaliza com o Desprezo,como o mais bonito plasticamente dos filmes do velho francês.Pena que a sua iconoclastia irascível impeça a aproximação de mais pessoas com a sua obra.
Vamo parar de palhaçada e ser sinceros.Se o Argento não existisse o cinema ia ser bem menos divertido.As pirações e a estilização excessiva dos seus filmes me enchem os olhos.Deve ter a matança generalizada mais absurda do cinema.

O último Bresson é o mais seco,direto e talvez o seu melhor filme.
Até a segunda parte!
Panorama atual #02 - A Caixa(The Box,Richard Kelly)

Num to afim de falar muito,mas dá pra dizer que esse " A Caixa" foi uma grata surpresa.O trailer horroroso dava a falsa impressão de ser uma porcaria.Provavelmente será o filme B do ano,remetendo as ficções científicas 50's.O filme é torto,descompassado,tem coisas que deveriam ser mais comentadas e outras que poderiam ser mais camufladas,e mesmo assim ele tem uma força e um senso de mistério(mesmo expondo situações que não deveriam,como comentei)o suficiente para o filme ter valor.E que fique claro que o rótulo B,é pela temática,e não pela sua execução.O filme é bem dirigido,tem interessantes planos e uma cadência muito boa.
quinta-feira, 18 de março de 2010
2010 - O ano de 2001 no telão - parte 2
OBS:É provável que todos os sonolentos compareçam a sessão.Caso você vá e reconheça algum,por favor não se acanhe em pedir autógrafo ou bater um papo hahaha.
terça-feira, 16 de março de 2010
2010 - O ano de 2001 no telão - parte 1

No meu post sobre meus 20 filmes favoritos,comentei que um dos meus sonhos era ter a possibilidade de conferir 2001-uma odisséia no espaço no telão.
domingo, 14 de março de 2010
Nightmare on sono súbito #01 Príncipe das sombras de John Carpenter(Prince of darkness,1987)
John carpenter,assim como Scorsese e Truffaut,tem uma grande paixão pelo cinema.Citei esses 2 além do Carpenter,pois pra mim são os mais prazerosos de se ler quando comentam sobre a sétima arte.Carpenter ainda possui uma obsessão mais específica.É fanático pelo Howard hawks,um dos monstros sagrados do cinema e mais especificamente pela obra-prima”Onde começa o inferno”(acredito que seja seu filme favorito.Nunca vi uma lista dele).
A cada filme que eu vejo de sua filmografia,a espinha dorsal do faroeste de Hawks está lá,que é a de um grupo em torno de um trabalho específico e que o importante não é sô objetivo,mas a interação dos personagens.É assim no Enigma de outro mundo,Vampiros,Fantasmas de marte e em mais alguns outros,além desse “O príncipe das sombras”,que comprei ano passado e só conferi agora.
A história que transcorre é a seguinte.Um padre convoca um grupo de cientistas para investigar um líquido verde,que acredita-se ser uma substância demoníaca.Durante o filme,me lembrei o tempo todo de Invasores de corpos do Ferrara,que como esse do Carpenter,era um filme que mais parecia um grande prólogo(e isso se reforça muito com a trilha de notas sempre iguais e onipresente).A expectativa de que algo maior vai acontecer,sempre fica.São filmes que terminam em momentos de uma maneira”abrupta”,em que diretores ruins continuariam a projeção e a grande essência se perderia,que é mostrar o mal se instalando no início e não suas conseqüências mais graves.Dá pra dizer que são verdadeiramente pré-apocalípticos.
O elenco composto por alguns conhecidos(dois eram do filme anterior do Carpenter,Aventureiros do bairro proibido) incluindo Donald pleasence,fazendo mais uma vez o papel de um homem de frente com o mal absoluto(assim como seu psiquiatra no Halloween,também de Carpenter)se sai razoavelmente bem.Destaque nesse quesito pra participação de Alice cooper que é tão ou mais assustador sem maquiagem do que com ela.
O desenrolar do filme se passa basicamente dentro de um prédio,em que o tal líquido verde vai se instalando nos personagens,dizimando um a um.Parece bobo,mas estamos falando de Carpenter,então prepare-se para ver cenas realmente assustadoras,driblando até o orçamento ridículo e compondo efeitos especiais,que se não são perfeitos,são bastante eficazes.Cenas como a da personagem Kelly sendo possuída,e a do assustador sonho compartilhado por alguns personagens,estão entre as melhores da carreira do velho carpinteiro.
Aliás,esse sonho é um marco a parte.A cada personagem que sonha,vamos assistindo o sonho do anterior,acrescido de outros detalhes,até que no fim,temos uma nova perspectiva do sonho,que até nos faz perceber que nem tudo que estava sendo passado era tão óbvio assim.Claro que ainda tem a questão ceticismo X crença(lembram que era um padre e cientistas?),questões existenciais(sempre inclusas nos filmes dele) e até humor,por que não.
Enfim,mais um excelente filme de um verdadeiro gênio do cinema.E sim,o considero gênio do cinema,e não somente do cinema fantástico/horror.Uma pena que seus filmes são renegados a prateleiras do trash.
Panorama atual #01 - Ilha do medo(Shutter island,Martin Scorsese)
A loucura cinematográfica que Scorsese cultiva,é passada de maneira visceral,nesse que é o seu melhor trabalho com Leonardo Dicaprio,o muso pós Deniro da carreira do diretor.Digo isso pois sua “homenagem” ao cinema B,Noir e até ao clássico obscuro(que não sei se é tão obscuro assim)de Sam fuller,”Paixões que alucinam”,está bem exposta.
É sempre gratificante ver um filme,nos dias de hoje,com um desenvolvimento calmo,sem atropelamentos,ao mesmo tempo que o filme já começa tenso.
Dotado de uma trilha amedrontadora,que me remeteu até a Georgy ligeti,a atmosfera sombria e claustrofóbica da ilha é sufocante o suficiente para evitar descansos.E mesmo que Tenhamos panorâmicas mostrando o quanto a ilha é grande,a cada espaço em que o protagonista percorre,nos sentimos presos e não somente por estar numa ilha.
E é isso que dito o ritmo do filme.O desconforto crescente do que está por vir(mesmo que saibamos onde vai terminar,culpa em parte do maldito trailer da Paramount que deu uma grande bola fora) e pela insegurança em qualquer lugar da ilha.
A composição visual do filme também tem destaque,mesmo que os delírios do protagonista sejam artificiais(confesso não saber explicar se é da iluminação ou do CGI ali)exceto em um que envolve sangue,e quem viu acho que faz idéia de qual estou falando.
Leonardo Dicaprio que já se mostrou um excelente ator desde Aviador(em que também interpretava alguém perturbado)carrega muita coisa nas costas e se sai muitíssimo bem.E perto do fim do filme,sua atuação só melhora.
Sobre a reviravolta do final,mesmo que seja premeditada pros mais atentos,me ficou a impressão que aquilo ali não é o mais importante,a idéia não era criar um fim a lá Sexto sentido ou Os outros.O que eu achei excelente no final foi a escolha que Dicaprio faz,sobre a sua posição quanto aquilo que foi mostrado.Viver uma mentira,muitas vezes é menos doloroso que a realidade(e torci loucamente pra terminar daquela maneira).
Fico feliz pela não acomodação do Scorsese após o Oscar.
PS:Já havia escrito antes de ver que o Rodrigo escreveu sobre ele também.Pelo menos falamos de maneiras diferentes.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Notas sobre o Oscar
Alguém ainda realmente se importa com o oscar?
Claro que sim.Até os que dizem que não ligam,ou que odeiam,comemoram quando algum filme ou ator que gostam,vence a estatueta,ao mesmo que se incomodam quando algum que odeia,vence.Eu estou próximo de entrar em uma posição de apatia perante a premiação.
Isso aconteceu,de uma certa forma,no ano passado,quando 5 filmes muito frágeis(2 menos) eram indicados,e um dos piores filmes da década,acabou levando.Realmente me irritei ali.Mas não inclui só isso.
Volto no tempo e lembro que nunca entendi porque as pessoas reclamavam TANTO da cerimônia.Sempre achei legalzinha,nada de tão mala da forma como condenam.Hoje,mesmo que a minha idéia não tenha mudado muito,percebo que só assisto ao oscar pela tv,se tiver algo mais para ver no pc.Esse ano,por exemplo,vi na TNT,comentado no cinema em cena e conversando com pessoas numa comunidade do orkut.Só a cerimônia é impossível.
E aí vem a questão.O problema não ta só na cerimônia,está na premiação também,que na verdade nunca foi levada a sério por quem se leva a sério.
Nos 10 anos em que assisto,sempre torci pra cada favorito meu em cada categoria.Esse ano,mesmo achando que o filme do Tarantino e dos Coens era melhor DISPARADO em relação aos outros,simplesmente não liguei por eles não terem ganho nada.Na verdade fico até com a sensação que torci pros piores em cada categoria,para no dia seguinte o oscar ser ridicularizado.Acabo tendo certeza que o melhor disso,é o humor involuntário,protagonizado pelos “mestres” José wilker e Rubens Ewald filho,que nos contemplam com pérolas inimagináveis,que seria até deselegante reproduzí-las.Em qualquer site de humor dá pra achar.
Finalizando,a premiação nem foi tão desastrosa assim.A previsibilidade continua,e nesse caso foi ok.Pra mim dava no mesmo Avatar ou Hurt locker ganharem.Mesmo o segundo sendo melhor.Os dois oscars de roteiro foram engraçados,dá pra ver que os caras que votam num sacam nada.E Sandra Bullock...como atriz nesse filme ela é muito bonita hahaha.
É por isso que num dá pra levar a sério!
Foto:Chris Waltz,o judeu nazista,com seu prêmio.
Continue lendo >>terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Um Homem sério
Dá pra dizer que até agora,esse novo do trabalho dos irmãos coen é o meu favorito do ano.Nutrido de grandes expectativas pelo histórico fantástico de sua filmografia,pelo seu trailer(que curiosamente é o melhor do ano,junto com o do Onde vivem os monstros,que também é o meu favorito do ano junto com esse)e pela próprio rascunho de sinopse que li,o assisti com grandes expectativas e mesmo assim me senti recompensado.Mesmo com o filme sendo bem alardeado pela crítica,muita gente está falando que não passa de uma releitura de suas principais obsessões(inferno astral,mal crescente,etc),mas isso fica com cara é de preguiça mesmo.Primeiro porque grandes nomes do cinema refaziam o mesmo filme várias vezes e se saiam bem,segundo que isso não é uma completa verdade.
A começar pelo apuro visual que eles conseguiram.Esse é provavelmente o seu filme mais bem dirigido.Todas as escolhas deles,seja em planos,cortes,são estratégicas,nada ali é à toa.
O roteiro também está sendo muito bem comentado,mas nem me apego a isso.O desenvolvimento do filme é calmo,pra realçar a crescente angustiante dos problemas de Larry,o homem sério do título.O prólogo,que é muito interessante,já serve como prenuncio do que veremos a seguir.Tudo é contado com um humor que cada vez fica mais fino e com uma excelente trilha sonora(a principal”somebody to love”do Jefferson airplane caiu como uma luva),sem falar no universo particular que eles criaram,que faz qualquer um que tenha visto filmes deles,reconhecerem de quem é só pelos personagens.E o bacana é que isso não acontece mais por eles serem caricaturas,mas por eles terem um tipo de excentricidade que você vê só nos filmes deles.O assunto novo é o questionamento da fé.As cenas de Larry pedindo ajuda com os seus problemas para os grandes rabinos, e a mais absurda do ano,a do batismo judeu do filho de Larry,são os grandes destaques numa série de situações inusitadas e inacreditáveis que acontecem ao longo da projeção
Fechando o filme de forma abrupta,assim como Onde os fracos não tem vez,a cara de uma grande metáfora,que já se pressentia antes do término,é assim concretizada.Enfim,mesmo que não seja o melhor deles,é mais um filme prazeroso,muito bem arquitetado e com assuntos interessantes a serem ditos.
Recomendadíssimo
OBS:Quem quiser se dar o trabalho de ver o trailer,está aqui
http://www.youtube.com/watch?v=9FYtprwg1As
Continue lendo >>domingo, 14 de fevereiro de 2010
A lista
Eu adoro compilar listas.De décadas,gêneros...mas raramente me atrevo a fazer uma que envolva meus favoritos de modo geral.Fiz uma vez a uns 3 anos e percebi que minha visão mudou bastante,e claro,tenho ainda muito a aprender.E é isso que acho legal em listas.Ver,depois de um tempo,o quanto ela mudou em decorrência da sua própria vivência.
Fiz aqui uma lista de meus 20 filmes favoritos,mas obviamente ela não é fechada e outros filmes poderiam substituir alguns ali.É clichê,mas é importante sempre lembrar que listas envolvem momento.Amanha ela poderia estar diferente.
Também tentei colocar 1 de cada diretor e filmes que representem o que eu mais amo e me identifico na sétima arte.
Deixo um breve comentário pra cada,e claro,ficaria feliz que pessoas o assistissem por minhas recomendações(ok,César? hahaha)
Os filmes estão divididos em 2 blocos.Os primeiros 5 são os meus favoritos e estão em ordem cronológica.Os outros 15 também seguem ordem cronológica.

Doce vida, de Federico Fellini(La dolce vita,1960)
Foi meu filme favorito por um tempo,mas deixei de querer classificar 1 só pra esse posto.Poderia muito bem entrar o 8 ½,que é o melhor dele,sobre um diretor em crise criativa,repleto de cenas oníricas e que inaugura a fase surrealista do Fellini.Só que Doce vida(que é a ponte neorealista com a surrealista)é um filme que me diz muito mais.A vida vazia de Marcello que busca a todo custo uma felicidade que ele talvez saiba que não vai encontrar e que o leva direto pro abismo,é filmada de uma forma única e desconcertante.O final é tão lindo e triste,que me emociona mesmo que reveja pela décima vez.

2001, de Stanley Kubrick(idem,1968)
Há uma expressão que diz”Existem filmes maiores que a vida”.Esse é maior que a vida,que o planeta,que o universo...A passagem do homem aqui,nunca mais será retratada dessa forma.O que todo mundo levaria 15 filmes pra dizer,Kubrick levou 1 e ainda por cima recheou o filme de um despojamento notável.Esse aqui é até bom nem se alongar,por mera sensação de redundância mesmo.Meu sonho é ver no telão,um dia conseguirei!

Two lane blacktop, de Monte Hellman(Two lane blacktop,1971)
Estradas sempre me encantaram.Mesmo quando eu nem sabia porque.Claro que isso é muito mais pelo cinema,estradas brasileiras não são muito “atraentes”.Existe uma desolação e uma melancolia nelas que me encantam muito.Tenho muita vontade de ir a passeio pros Eua e viajar nas estradas,sem me preocupar com o destino e sim com a viagem.Esse filme trata,de uma certa forma,disso.Fico feliz por ter um road movie aqui,ainda mais esse,que é realmente um road movie passado inteiramente nas estradas.Sem falar que é representante do cinema que talvez seja o que eu mais admire,que é o da contraculura americana da década de 70.A geração perdida e sem rumo da época,é retratada de forma brutal.E se existe um final perfeito,taí esse.

Stalker, de Andrei Tarkosvky(idem,1979)
Tarkovsky deve ser o único cineasta que eu imaginaria filmando um filme tão megalomaníaco e eficaz quanto 2001.E ele até fez um em resposta ao mesmo,Solaris(Rodrigo,herege,não gostou,meu deus!!!!!)Esse aqui se encaixa também na idéia de “maior que a vida”.Impossível ser o mesmo depois de assisti-lo.Imagens hipnóticas,filosofia...eu sei que nunca vou absorver nem 10% do que ele trata,mas sempre serei recompensado ao rever.Um filme eterno!

Pulp fiction, de Quentin Tarantino(idem,1994)
O almanaque de todos os filmes b,de gangsters,noirs,policiais...o filme mais prazeroso que eu conheçoTeve semanas que eu revi todo dia a primeira hora,só pra me deliciar com cada detalhe,plano,corte,diálogo..Filme favorito?Talvez esse.

Luzes da cidade, de Charles Chaplin(City Lights,1931)

M, de Fritz Lang(idem,1931)
Talvez o filme definitivo sobre assassinos seriais e a busca da polícia por eles.Tudo filmado de forma amedrontadora,com uso espetacular de sombras e do som,que é o ponto alto do filme.Na última meia hora eu não pisquei,e duvido de quem o faça.

Um corpo que cai, de Alfred Hitchcock(Vertigo,1958)
Hitchcock é a primeira paixão cinéfila de praticamente todos que se aventuram nesse mundo.É o caso clássico de quase unanimidade entre críticos e público(hoje em dia.Em sua época Hitch era mal visto,exceto pela Cahiers du cinema)Seus filmes tem mais acessibilidade,mas os seus melhores são densos,com o esmero visual e controle absoluto da narrativa,como só ele sabia fazer.Aqui eu poderia colocar Psicose,seu filme mais “experimental” e que subverteu todo um gênero.Mas esse é seu filme que melhor retrata suas obsessões.Não existe outra “loira gelada” como a Kim novak.E acho a virada de rumo no segundo ato,tão chocante quanto a de Psicose.

Meu tio, de Jacques Tati(Mon oncle,1958)
:Lembro perfeitamente o quanto me encantei pela obra de Tati e especificamente sobre essa aventura do Mr.hulot,o personagem de Tati.Ele é uma espécie de vagabundo Chapliniano.Tão atrapalhado e desengonçado quanto.Sinto uma melancolia parecida com a que sinto vendo um Chaplin,por sinal.E também tem as gags físicas.Aqui,Monsier hulot vai passar um tempo na casa de sua irmã.As cenas de travessuras com o seu sobrinho,são de uma poesia visual única.Ainda tem a crítica afiada sobre o avanço tecnológico e sua inadequação nesse mundo.Um filme lindo!

Marca da maldade, de Orson Welles(Touch of evil,1958)
Cidadão kane é espetacular,e diferente do que muitos dizem,não precisa de contextualização pra se achar isso.O filme é um monstro até hoje,sem dúvidas,um dos melhores que vi.Só que esse “Marca da maldade” me ganhou.Sabe como é,filmes favoritos envolvem muito mais coração que razão.Esse é um dos dois da lista que vi no cinema,inclusive pela primeira vez.Experiência indescritível.Em noir,poderia também colocar o Kiss me deadly,mas esse tem Orson welles na direção e atuando,e quem já viu filmes dele,sabe que ele é um perfeito,nos dois segmentos.E tem um dos meus prólogos preferidos.

Ano passado em Marienbad, de Alain Resnais(L’année dernière à marienbad,1961)
Já disse aqui que considero Alain resnais o melhor diretor vivo.Isso não é a toa.Sua carreira é impecável,vasta e diferente entre si.Sua forma de contar tragédias de formas otimistas(ou o contrário)me apaixona,isso sem falar no olho clínico para detalhes do ser humano que só ele enxerga no cinema atual.Eu poderia colocar o “Hiroshima,meu amor”,que representaria perfeitamente um filme sobre amor e sobre a dor da guerra,mas prefiro ficar com esse tratado sobre a memória.(ele que deveria dirigir o segmento do Manhattan no Watchmen,ninguém fala sobre memória como ele.)Na verdade as imagens são tão belas,que mesmo que eu tivesse visto sem legenda e não entendesse nem sobre o que os personagens falam,eu me renderia a essa dádiva.

Demônio das onze horas, de Jean luc-Godard(Pierrot lê fou,1965)
Godard fez muitos filmes inesquecíveis,me atrapalho muito em dizer qual é o meu favorito,mas sempre acabo indicando esse.Citações,metalinguagem,Anna karina linda de morrer,cenas marcantes,(a do túnel,a da festa,o fim),gangsters,isso tudo embalado num road movie multicolorido.Quem não gosta,boa gente não é.

Operazione paura, de Mario Bava(idem,1966)
Sou fã do Argento,mas Bava é muito mais diretor.Tem talento pra diversos gêneros,inclusive fez filmes melhores,mesmo assim prefiro essa fábula macábra.Cores fortes,cenas duplicadas,numa atmosfera envolvente e única.O sobrenatural de Bava pode não botar medo,mas me arranca aplausos.

Segundo rosto, de John Frankenheimer(Seconds 1966)

Persona, de Ingmar Bergman(idem,1966)
Bergman é um diretor pesado,muitas vezes evito de ver seus filmes,dependendo do que eu esteja passando.A história da atriz que resolve se calar e que passa a ser assistida por uma enfermeira numa casa isolada,não me causa a sensação deprê dos outros filmes dele,mesmo que eu me sinta desconfortável/deslumbrado por tudo aquilo.Nunca os rostos serão fotografados daquela maneira.Bergman dizia que os verdadeiros grandes filmes devem parecer com os nossos sonhos.Disse ele,antes de seu falecimento,que fracassou em sua carreira.Eu digo que ele conseguiu.E tem o melhor monólogo do mundo,tanto que existem pessoas que juraram ver as imagens que apenas são descritas por uma das personagens.Coisa de gênio.

Três homens, de Sergio Leone(Il Buono,il Brutto,il cattivo,1966)
O faroeste poderia ser representado por Ford,Hawks e até pelo próprio Leone em “Era uma vez no oeste”,mas esse é o meu definitvo.Assim como Pulp fiction,é um filme que tem em sua estrutura SÓ cenas magistrais.A construção do clima para o que virá a seguir,e principalmente para o que virá no fim,é assombrosa.Junto com Hithcock,Leone é o que mais tem domínio da linguagem e da criação de tensão.Tem a provável fala mais famosa do Western”Existem dois tipos de pessoas.As que tem uma arma e as que cavam.Você cava”.O duelo final,o outro filme dentro filme(quem viu,entenderá)...Maravilhoso.
O Samurai, de Jean Pierre Melville(Lê samourai,1967)
Celine et julie vont et bateau, de Jacques Rivette(idem,1974)
Esse é uma espécie de alice no país das maravilhas.Duas garotas descobrem uma “bala” que as faz ter visões sobre uma família.Quando o efeito acaba a história para,mas se elas pegarem outra,a história continua.O filme é muito maluco,tem 3 horas e obviamente não acontece só isso(na verdade,é uma descrição péssima).O caso é que é tudo muito saboroso,as cenas de mágica são plasticamente belíssimas,sem falar que ele representa inclusive o cinema surrealista de Buñuel,que ficou ausente na lista.Ah,e a ironia do título é hilária!
OS:O título em português seria Celine e julie vão passear de barco,ou algo assim.
Suspiria, de Dario Argento(idem,1977)
Queria muito botar um giallo(filme de assassino com luvas negras e que não vemos seu rosto),mas mesmo Argento sendo o maior expoente desse subgênero que eu amo,aqui está a sua obra máxima.Nunca o vermelho foi tão intenso quanto aqui.Argento,que sempre se preocupou quase que apenas ao visual(seus roteiros e atores são sempre frágeis)têm seu auge.Aliás,isso quebra completamente a idéia de que filmes precisam de roteiros ótimos..O clima de pesadelo é assustador,reforçado pela trilha do Goblin,que merecia até um texto a parte.Se eu pudesse salvar só um filme de horror,seria esse.

Blow out, de Brian de Palma(Blow out,1981)
Lembro da chamada da TNT até hoje.Eles passavam sábado de madrugada uma sessão intitulada”filmes independentes”.Passaram coisas maravilhosas,como Veludo azul,Videodrome(que quase entrou nessa lista) e essa belezinha aqui.Lembro que me encantei com os planos lindos,mesmo numa época que eu nem ligava pra isso e pelo fato de ter John travolta.Na hora pensei”puts,esse cara num ficou um tempão ser fazer algo bom?”.Só fui ver o filme tempos depois,mas a chamada marcou.Também é uma espécie de almanaque,mais em menor grau que Pulp fiction.E essa nem é a preocupação estética de De palma.Junto com Pulp fiction ele é a definição de prazeroso no cinema pra mim.Não consigo pensar em um filme mais (desculpe a repetição),prazeroso pra ser ver num sábado a noite.
Ps:John travolta é rei,tá em 2 filmes da lista!!!!!
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
Top 20 década 90
Rolou outra votação numa comunidade que participo.Dessa vez dos melhores da década de 90.
Coloquei 1 de cada diretor e tentei ao máximo colocar filmes diferentes,mas ta cheio de filmes policiais/ação e isso é pela grande qualidade dos filmes desse gênero nessa década.
O que eu acho legal nessas listas é ver com o passar do tempo,o quanto elas mudam,seja por filmes novos que você vê,ou mesmo por revisões que melhoram ou pioram outros.
PS:Podiam entrar:
Underground do Kusturica,Fervura máxima do John woo,Desconstruindo harry do Woody allen,etc,etc...
Depois eu comento sobre alguns filmes:

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