1 - Uhuuu! - Cidadão Instigado
E pensar que o maior disco da primeira década do século XXI quase não existiu, né Catatau...: "Com a verba do projeto ( Prêmio Pixinguinha), resolvemos fazer algo mais caprichado e gravamos num gravador analógico, com fita de rolo e tudo o mais. Mas perdemos toda a primeira etapa por conta de um problema no gravador", revela. O prejuízo só não foi maior porque boa parte das novas músicas já vinham sendo tocadas nas apresentações e o jeito "foi começar tudo de novo". (entrevista para Rolling Stones n° 36 aqui).
Uhuuu! é épico desde de sua criação... Um disco muitas vezes romântico em suas letras um tanto banais, mas com uma sonoridade experimental onde encontramos misturas de música brega a rock progressivo numa única faixa. Mas o álbum foi além... temos músicas bem experimentais como "Doido", "Ovelhinhas" e "A radiação na Terra".
" O Nada" também é meio experimental e abre o disco. Com uma ordem: "abram as portas das suas casas/ deixem os ladrões entrarem/ eles vão tentar levar tudo o que puderem". Impactante desde o início. A sonoridade do disco começa a se desenhar. "Contanto estrelas" começa bem anos 80, teclado e tal, mas a sonoridade vai se completanto dando suporte as letras simples que ganham força, como tudo na música. A aparente simplicidade torna-se claramente complexa. "Doido" tem uma levada, não sei... difícil falar... a música tem uma guitarra cantando a todo momento, sustentando a narrativa de alguém a ponto de ter um "colapso nervoso". Arnaldo Antunes participa no momento ápice de loucura. Imperdível.
Agora, a sequencia suprema do ano: "Dói"/ "Escolher pra quê"/"Como as luzes". "Dói" é romântica ao extremo, a levada musical se arrasta nesse sentido mesmo, sem maiores devaneios, mas muito técnica, cheia de detalhes. Declamação de Catatau... a música se mantém... até que no final ela abre as asas... "e encontrar você sorrindo, no meu coração... outra veeez!" Metais, refrão, fim. Fantástica. "Escolher pra quê" é mais puxada para o rock, bem anos 80, ótima, bem animada, refrão forte... solo incrível... "Como as luzes" é a obra prima do disco. Começa bem brega, quase Calypso heeheh. Só que Joelma/Chimbinha não são capazes de dar novos caminhos para a música, muito menos formas geniais como Catatau. A parte instrumental da meiuca já deixa bem claro que não estamos escutando qualquer música. A música vai ganhando força até que tudo parece que pára e... que isso?!?! Pink Floyd?? Catatau fecha a música com um solo idêntico ao solo final de "Echoes" do Pink Floyd, espetacular, tudo bem encaixado, é a mesma música, não dá pra acreditar... me arrepio todas as vezes que escuto.
"Ovelhinhas" é mais experimental, psicodélico, sons de ovelhinhas, oníricas e termina com um tchu tchu tchu ru ru meio Franz Ferdinand numa trilha rural... entendeu? melhor escutar... Mais experimental e pscicodélica é "A radiação na Terra", sombria em alguns momentos, o grito de horror... dark... bem legal! "Deus é uma viagem". Que letra! A melhor definição de Deus que eu já escutei: "Olhos/De-dos/Mãos/Pés/Me mos-tram/Que Deus/É uma viagem." Mas não é? heheehe A sonoridade se encaixa perfeitamente, final apoteótico, incrível, tem até "ooohhhh ooooooooohhh", é de arrepiar. "Homem Velho", homenagem a Neil Young, iria adorar sem dúvida. Sóbria, fica mais dançante, no refrão, o ápice, um sonho... o teclado dita a sonoridade... "O cabeção" volta com o experimentalismo, mas uma participação do Arnaldo Antunes, letra bem criativa, ficção científica em música... só Catatau... um Uhuuu! no final... Que disco!
E minhas palavras não servem de absolutamente nada... ESCUTEM O DISCO!
Dá pra escutar algumas coisas aqui: http://www.myspace.com/cidadaoinstigado
Mas é só procurar na web e você acha o disco inteiro... Faça esse esforço para o seu próprio bem!
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Melhores Álbuns Nacionais - 2009 - parte final
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
Melhores Álbuns Nacionais - 2009 - parte IV
5 - Sem Nostalgia - Lucas Santtana
Esse é dos corajosos. Disco fantástico. Lucas e o som do seu violão, puro, distorcido, eletrônico, mashups...
"Super violão mashup" abre o disco. Som instigante. É o som do seu violão remexido, revirado, recortado, repaginada, repetido... acrescentou uma batida eletrônica e pronto. Estamos diante de uma obra-prima. "Who can say which way" segue a linha e dessa vez temos a aparição dos vocais de Lucas, ansiosos, nossos sentidos já estão perplexos nesse momento. "Night time in the backyard" é lenta, sons noturnos, pelo que lembro, gravados no Jardim Botânico, e claro seu violão embalando tudo numa melodia hipnotizante. "Cira Regina e Nana" é a primeira em português. Levada sonora que gruda, letra de rimas bem organizadas, você se perde na narrativa. "Recado para Pio Lobato" é instrumental, a elevada técnica de Lucas é gritante, impressiona. Metade do disco, "Hold me in". Violão bem marcado, sonoridade pra lá de melancólica, melodia linda.
"Amor de Jacumã" é mais alegre, descontraída, inclusão de efeitos, muito bom: "Vou pra Ja pra Ja, pra Jacumã"! "I can't live far from my music" é cheio de efeitos incluídos aos sons de seu violão, mais uma música magnífica... Depois vem "Cá pra nós", densa, triste... "O Violão de Mário Bros" é interessantíssima, com o som do violão e seu devido recorte e cola temos a referência aos sons do famoso jogo. "Ripple of the water" é a última faixa do disco com cara de música, porque "Natureza n°1 em Mi Maior" já desde o nome mostra que será experimentalismo puro. E é. Desde de "Ripple..." já escutamos de fundo aqueles sons noturnos do Jardim Botânico. Em "Natureza..." é somente esse som com pequenas interferências de violão... dá pra viajar legal... heheehe
Baixe tudo aqui: http://www.diginois.com.br/
4 - No chão sem o chão - Romulo Fróes
Mais um corajoso da nossa música. Fazer um álbum duplo (1ª sessão - Cala boca já morreu/ 2ª sessão - Saiba ficar quieto), 33 músicas, nenhuma comercial, nada de rádio, nada de facilidades para seus ouvidos. Com uma banda formidável (destaque para a bateria impecável do Curumin), Romulo colocou na rua um disco histórico. Dando espaço para que a banda soltasse o braço nas músicas temos o 1° disco recheados de solos de guitarra e bateria. O 2° mostra o já conhecido lado mais sambista de Romulo.
Vou tentar resumir a extensa obra. As 3 primeiras, "Do ponto do cão"/ "A Anti-Musa"/ "Destroço" são verdadeiros rocks, bem feitos, aquele toque de mpb, letras poéticas, enigmáticas, geniais, a banda mostra a que veio. Destaque para "A Anti-Musa", hipnotizante, narrativa inebriante, viciante, que música, nasceu clássica. "Destroço" arrebenta, puro rock.
"Para quem me quer assim" reduz um pouco a velocidade, aparecem alguns metais que continuam em "Deserto Vermelho". Só que nessa os metais são mais violentos, a música é acelerada, ótima. Como é ótima também "Anjo". Ótima? Não. Ela é genial, mais que genial, letra suprema, que construção, pesada, som pesado, bateria dura, guitarra dura, melhor do ano? Arrisco dizer que sim. Emendada vem o sambinha "Minha Casa". Como emendar um rock pesado e denso com um sambinha? Pergunta pro Fróes. Acho que só ele sabe fazer isso. Ponto altíssimo do disco. "Vai" é um samba mais lentinho, muito bom. Mas bom mesmo é "Qualquer coisa em você mulher". A guitarra está demais, marcação de samba, letra de samba, referência a "Mora na filosofia" de Monsueto. Ou ao disco "Transa" do Caetano, onde Caê gravou a música de Monsueto. O disco do Caetano sem dúvida inspirou vários momentos do álbum de Romulo. "Sei Lá"/ "Pierrô Lunático"/ "Amor Antigo" são menos rockeiras, muito boas. "Mochila" é bem lentinha, bem legal, caminha por vários lugares sonoros... "Peraí" temos mais guitarra; "De Adão para Eva" tem uma das letras mais geniais do disco. Dobradinha com Mariana Aydar nos vocais. "Só você faz falta" é samba mesmo. Já preparando terreno para o segundo disco.
"Para fazer Sucesso" ainda tem algo de rock, principalmente no refrão, ótimo refrão aliás. "Ela me quer bem" é ótima, diferente, sonoridade que mais parece trilha de filme policial... "Ela me quer bem... ela me quer bem... ela me quer bem... morto..." heheehe Samba! "Esse aí"/ "O que todo mundo quer"/ "Caia na risada"/"Cala boca já morreu"/ "Manda chamar" são sambas em suas mais variadas formas. Ótima sequencia! "Dia tão cinzento" é a melodia mais bonita do disco, a música corta-punhos do ano disparada; "Ou nada" é uma das mais lentas, piano e tal... Já "Caveira" é mais animada. "Fui eu" diminui o ritmo novamente. "Gelatina" segue a linha. Que talento tem a banda de Romulo (além de Curumin, Fábio Sá no baixo, Guilerme Helo na guitarra). "Se eu for" é um sambinha dividindo os vocais com Lulina. "Pedrada" é um samba instrumental. Quer dizer... tem letra sim... vou colocá-la na íntegra: "Porra?!". Depois "Uva de caminhão" de Assis Valente. Que coisa boa... Andreia Dias nos vocais. "Astronauta" é outra bem lenta, também com piano. Dessa vez o vocal feminino é de Nina Becker. E pra fechar, "Saiba ficar quieto". Só violão, lenta, letra dura, fechando o disco com chave de ouro.
Concordo ser cansativo escutar 33 músicas direto, mas acho que Romulo não quer isso de você. Quer que você escute o que mais lhe agradar dentro dessas 33 músicas.
Baixe esse disco e os outros aqui: http://umquetenha.org/uqt/?cat=745
3 - Vagarosa - Céu
Um disco bem trabalhado em cada detalhe. Céu, se influenciando de ritmos jamaicanos e misturando-os com as influencias daqui, concluiu um dos melhores trabalhos de 2009. O trabalho, como fica claro no título do ábum, e devagar. Devagar no bom sentido, uma perfeita "Malemolencia"... Sem contar que ela está cantando muito bem. E a banda? Só tem fera. Nas baquetas, tem ora Curumin, ora Pupillo (Nação Zumbi); na guitarra, Fernando Catatau (gênio, Cidadão Instigado) toma conta em algumas; até o Guizado aparece no trompete em "Nascente"...
"Sobre o amor e seu trabalho silencioso" é uma introdução em forma de samba. Em "Cangote" é que o disco começa pra valer. É nítida a sensação de que cada som inserido foi muito bem pensado, tudo se encaixa para criar uma aurea "sonolenta", a letra também... "Comadi" acelera um pouquinho, mas a sonoridade preguiçosa da jamaica continua muito forte... A coesão é muito forte no disco. "Bubuia" mantém a linha, mas se destaca... o vocal de Thalma de Freitas dividindo com a Céu é show e a guitarra é do Catatau... o Pupillo na batera... clássico... Em "Nascente" temos a interferência alucinante de Guizado com seu trompete... é de arrepiar! "Grains de Bearté" é bem lenta, perfeita em cada som, a bateria é de Curumin, irretocável em cada detalhe. "Vira Lata" volta pro samba e para tal temos Luiz Melodia nos vocais com a Céu... Ficou muito bom.
Já passamos da metade do álbum, só temo até agora música de alto nível, é incrível. "Papa" retorna a "lerdeza" jamaicana, é curtinha. É seguida por "Ponteiro", putz, acho que essa é a que mais captou a ideia de aurea lenta e sonolenta do disco, é quase onírica... ah! Dengue da Nação Zumbi no baixo. Os músicos foram escolhidos a dedo. E depois temos, para mim, a melhor das melhores: "Cordão da Insônia". Genial. Batida um pouco mais acelerada, mas a aurea onirica continua, letra bem legal... e até BNegão participou nessa com vocais adicionais... é só ter atenção que você perceberá... muito bom! As três últimas não deixam o disco perder o nível. A versão para "Rosa Menina Rosa" ficou fantástica... a tranposição para a sonoridade que Céu quis colocar no disco ficou perfeita na música do Grande Jorge Ben. "Sonâmbulo" tem apoio do DJ Marco e ficou muito boa, a perfeita união dos sons. E fecha com "Espaçonave" com som da Floresta Amazônica de fundo, Conga de Bruno Buarque, guitarra genial de Catatau... cara... é de arrepiar!
Dá pra escutar algumas coisas nestes lugares: http://www.myspace.com/ceumusic
http://www.ceumusic.com/
http://www.urbanjungle.com.br/
2 - C_mpl_t_ - Móveis Colonias de Acaju
Da fantástica banda de Brasília eu já comentei aqui. Vou falar um pouco do ótimo 2° disco da banda.
De todos os discos de 2009 já comentados, deve ser o que menos escuto atualmente. Afinal, durante o ano todo eu escutei 548 vezes. E geralmente não escuto um disco 548 vezes a toa. É sem dúvida um disco diferenciado. E pop. O que boa parte dos discos já mencionados não conseguem ser.
"Adeus", faixa de abertura, mostra uma banda mais técnica, mais preocupada em fazer um som limpo, o mais perfeito possível. Bonita, alegre, muito boa. "Lista de Casamento" é puro rock, guitarra na introdução, uma letra que não diz nada com nada, metais arrebentando, a voz do André Gonzales afinadinha... "O Tempo" é a próxima, música de trabalho, muito boa. Atenção para o progresso da música, como ela vai ganhando força, sons, emoção, bem legal. O que falar de "Cão Guia"... uma introdução com metais, música empolgante, abriu o show no Circo, é o toque do meu celular, adoro a música! "Descomplica" mantém o ritmo alucinante do disco, música que acelera, diminuí, vai pra lá, vem pra cá, muito animada.
Pra quem conhece o primeiro trabalho da banda, já percebeu que a sonoridade do Leste Europeu tão presente naquele, neste é mais sutil apesar de presente. Eles chegaram a um amadurecimento do som num curto espaço de tempo, eles têm hoje uma sonoridade própria.
Continuando... "Café com leite"/ "Pra manter ou mudar" não deixam o ritmo cair, não tem como ficar parado com esses caras! Refrões para cantar alto, levadas que não te deixam parados... e "Bem Natural" chega a extrapolar tudo isso, início devastador, refrão pegajoso, ritmo que gruda na cabeça... "Falso Retrato" segue a mesma linha... após a primeira parte nós temos um trecho instrumental fantástico, acelerado e empolgante, a letra volta forte, ritmo violento... Uma pequena reduzida com a introdução meio jazz de "Cheia de Manha" mas no decorrer da música ela se acelera como tem que ser... letra muito interessante falando dessas crianças insuportáveis que se passam por adultas na TV. "Sem Palavra" é mais uma destruidora do disco, e como é... rápida, angustiante, vocês não imaginam isso no show... "Indiferença" fecha o álbum sem reduzir a velocidade praticamente te obrigando a escutar novamente o disco... muitos metais, mais refrões grudentos...
Melhores músicas? Todas. O álbum mais coeso do ano. Alto nível do início até o fim. Só não ficou em primeiro porque Catatau e sua banda fizeram isso também com mais coragem e inovação.
Valeu Móveis! Valeu Gonzáles!Baixe aqui: http://albumvirtual.trama.uol.com.br/index.jsp?album=1128131101
http://www.moveiscoloniaisdeacaju.com.br/
Melhores Álbuns Nacionais - 2009 - parte III
Vamos fechar a tampa! Comentários para os 10 melhores discos de 2009:
10 - Atlântico Negro - Wado
Para alguns, uns dos atuais gênios da nossa música. Concordando ou não, é fato que nosso grande Wado vem se destacando com bons discos nos últimos anos. E se não afirmo sua genialidade plena, apontaria os traços dela já no álbum anterior ao "Atlântico Negro", o "Terceiro Mundo Festivo": a sequência "Teta", "Reforma Agrária do Céu" (ápice), "Fita Bruta" e "Tema Fita Bruta". E no novo disco não faltaram outros momentos de genialidade. O nome do disco já avisa que a relação África-América será de alguma forma trabalhada. As declamações em "Estrada"/"Atlântico Negro" e os afoxés espalhados pela primeira parte do disco confirmam ("Jejum/Cavaleiro de Aruanda", "Martelo de Ogum").
Confesso ter tido um certo preconceito com a temática voltada para religiões africanas, mas acho que a musicalidade deve prevalecer. E o que seria a música brasileira sem a influência musical do continente africano??!!?
Continuando. "Cordão de Isolamento" é o auge do disco. Uma levada fantástica que mistura música africana, funk, samba, rock... genial... backing vocal forte sustentando a música e mostrando uma faceta menos melancólica de Wado. "Hercílio Luz", "Pavão Macaco" e "Frágil" são mais melancólicas e reflexivas. As duas últimas se destacam, melodias lindas, instrumentações ótimas. "Feto/Sotaque", "Boa tarde, povo" e "Rap Guerra do Iraque" levantam novamente o astral do disco. A primeira com uma marcação funk forte e um refrão mais melódico, outro ponto alto do disco. "Boa tarde, povo" segue com utilização do funk-afoxé, muito alegre, bem legal. E fecha com um rap. Só o Wado mesmo. As vezes melancólico, as vezes alegre, sempre corajoso.
Baixe esse e os outros discos de Wado por aqui: http://www2.uol.com.br/wado/
9 - Zii & Zie - Caetano Veloso
Será que preciso falar alguma coisa desse baiano? hehehe. Caetano depois de algum tempo fazendo discos, digamos de medianos a bons, solta em 2006 um dos melhores discos da década, o "Cê", o primeiro com a banda que dá nome ao álbum. E a mesma banda formada por Marcelo Callado (bateria), Pedro Sá (produtor e guitarrista) e Ricardo Dias Gomes (baixo e teclado) dão forma a genialidade de Caetano em "Zii & Zie".
A forte presença do rock do disco de 2006 deu lugar agora a "transambas", conforme nomenclatura do próprio Caetano. Ele quis passar o samba no filtro do rock. E conseguiu. "Perdeu"e "Sem Cais" já deixam isso bem claro. "Por Quem?" dá um lindo prosseguimento para o disco, melodia bonita, a voz fina do Caetano, muito boa. Depois a divertida "Lobão tem razão", mais um meio samba, meio rock, até que no final esse último se destaca. "A Cor Amarela" é alegria pura; samba, praia, Rio de Janeiro é isso. "Base de Guantánamo" é mais sóbria, experimental. Crítica interessante ao problema conhecido. Mais uma genial do Caê. Depois de mais dois transambas ( "Falso Leblon" e "Incompatibilidade de Gênios", essa de João Bosco e Aldir Blanc) temos a ótima "Tarado Ni Você". Mais uma vez a guitarra de Pedro Sá ganha espaço maior. Para mim, a melhor das grandes músicas do disco. Um rock com toques de samba, principalmente no final, letra construída de forma inteligente e divertida, outro golaço de Caetano. A sequência com "Menina da Ria" mantém o disco alegre. "Ingenuidade" é mais um transamba legal, "Lapa" também. Esta última é uma bacana homenagem ao bairro carioca que me identifico por dois motivos simples: trabalho lá e a dobradinha Circo Voador/Fundição Progresso fica lá (boas lembranças...). "Diferentemente" fecha o disco em alto nível. Espero que esta fase do Caetano dure por bastante tempo!
Dá pra escutar tudo aqui: http://www.umw.com.br/artistas/caetano_veloso/zii_e_zie/
8 - Banda Gentileza - Banda Gentileza
Seis integrantes tocando ao todo 16 instrumentos. Esta é a Banda Gentileza formada por Artur Lipori (trompete, guitarra, baixo e kazuo), Diego Perin (baixo e concertina), Diogo Fernandes (bateria), Emílio Mercuri (guitarra, violão, viola caipira, ukelelê e voz de apoio), Heitor Humberto (voz, guitarra, violino e cavaquinho) e Tetê Fontoura (saxofone e teclado). No site deles peguei uma frase definidora do som dos caras: "Vão do samba à música folclórica do leste europeu, da música caipira à valsa, com espantosa unidade".
Espantosa mesmo. Dando uma pesquisada em blogs para descobrir bandas novas encontrei um top 5 de 2009 um tanto adiantado. Lá estava o disco da Banda Gentileza com um comentário que de certa forma os comparava aos Los Hermanos. Escutei. Não são Los Hermanos. Referências existem. Mas eles vão para outros caminhos.
"Coracion". Abre o disco de forma losermânica, mas com uma força que... sei lá... difícil definir... é de arrepiar... no final da música você foi jogado num precipício ao som dos metais... Aí você pensa: sorte de principiante. Não. "O indecifrável mistério de Jorge Tadeu" dá prosseguimento mágico ao disco. Quase instrumental, interferências curtas de versos bem colocados. Sonoridade do leste europeu. Genial. Ainda tem uma citação a "Garçom" de Reginaldo Rossi. Mais genial ainda. A overdose de músicas fantásticas não para: "Afinal de contas" continua se utilizando do som do leste europeu.
"Pia de prédio" quebra a sequência com um meio samba, meio bolero, meio sei lá o quê... Sei que é bom... "O estopim" nos leva de volta para o som dos balcãs. "Teu capricho, meu despacho" é música caipira mostranto a versatilidade da Banda. "Preguiça" retorna ao samba, samba mesmo como é difícil escutar. "33B" está entre as melhores. Segue a linha das 3 primeiras. "Sepre quase" é... sei lá... tem uma viola caipira mas não é caipira... uma letra engraçada e inteligente... um convite ao abandono da razão... "Sintonia" tem uma levada mais rock; a guitarra mais forte e tal... depois vira rap... Não sei se é o Xis no vocal... sei que ele colaborou no disco... não olhei os créditos... rap da Banda Gentileza, fique bem claro, uma leve instrumentação de fundo, bem legal... "Maior com sétima" é mais um samba muito bom, bom mesmo! E "Pseudo eu" fecha muito bem o disco... cara, essa é muito boa... letra muito legal, o título já mostra. Leia o início: " Eu não faço parte de mim/ mas mesmo assim eu sou um zero a minha esquerda/ eu sou meu próprio vazio/ mas eu consigo encher meu saco". GENIAL.
BAIXE o disco. Isso é uma ordem: http://www.bandagentileza.com.br/
7 - Certa manhã acordei de sonhos intranquilos - Otto
Sempre gostei do Otto. Mas dessa vez ele se superou. Com parte do Nação Zumbi, Fernando Catatau e seu próprio talento inegável e com a voz redondinha ele fez um albúm absurdamente bom. O título do disco é uma referência ao início da "Metamorfose" de Kafka. Mas Otto não se esconde do mundo como o metamorfoseado da obra de Kafka. Ele se espalha e viaja por vários ambientes da alma e do mundo.
"Crua" abre muito bem o álbum. Acho que isso é regra para um bom disco. As letras de Otto são poesias. E essa viaja apoiada na sonoridade meio sombria, meio melancólica. "O leite" é cantada com Céu. Muito boa. A música é muito boa, elementos eletrônicos misturados com elementos instrumentais convencionais, muito interessante. "Janaina" tem referências africanas na letra e a sonoridade segue o caminho, mas conforme a música vai se desenhado tudo vai ganhando uma força estourando num final apoteótico. Boa Otto.
Agora o disco dispara. "Meu Mundo". Algo de Radiohead... Recife ficou eletrônica depois de Science... Escutar é melhor do que ler qualquer comentário sobre... "Você está aí? Ei! Você está aí".
"6 minutos" é uma obra prima de rolar lágrimas, guitarras distorcidas, uma das letras mais genias do disco, um ápice pleno, a voz rasgada de Otto...
"Lágrimas Negras" é lenta e forte. Uma voz feminina cheia de sotaque, acho que latino, divide o vocal com Otto. Um descanso necessário para depois daquelas duas músicas. "Saudade" resgata a levada meio africana. A voz com sotaque volta. É bem bonita. Naquela mesa, composição de Sérgio Bittencourt, inicia meio Hermanos depois parece meio brega, tudo bem repaginado. "Filha" é mais uma das fortes do disco, o final dela arrebenta. "Agora Sim" é quase um retorno a sonoridade da primeira música, fecha o disco de forma sublime.
Escute tudo aqui: http://www.radio.uol.com.br/volume/otto/certa-manh%E3-acordei-de-sonhos-intranquilos/19329?action=play
6 - Frascos, Comprimidos, Compressas - Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta
Nesta reta final, encontrei 2 coisas como diferencial entre os que estarão na parte de cima da lista: A grande coesão entre as músicas (todas muito boas, claro) ou coragem de fazer o que ninguém faria (com músicas muito boas, claro). "Frascos, Comprimidos, Compressas" é o primeiro caso. Dar uma acelerada no samba não é novidade. Mas a altíssima qualidade com que Ronei Jorge e Os Ladrões de Bicicleta fizeram isso é notável. E com muita coesão. E sem ser repetitivo durante o álbum.
Início devastador com "Você sabe dessas coisas - Nega". Marcação de samba, que sem avisar dispara em determinado momento numa chuva de distorção de guitarra e pancadaria de bateria. "Quem vem lá" mantém o ritmo animado, na mesma linha, um pouco menos revoltado, já preparando a próxima. "A respeito do sono" continua com a marcação de samba, mas lenta, melódica, linda. "Vidinha" pra mim já é um clássico. Letra pra ser cantada a pleno pulmões, a força do rock passando no filtro do samba de forma quase mágica. "Frascos, Comprimidos e Compressas" e "Tão sabida que eu nem sei" seguem a linha, mas sentimos uma pequena aliviada, tudo muito bem calculado para chegar em "Azucrim". Mais uma levada lenta e linda. Que desemboca em "Aquela dança", outro clássico pra mim. Samba-Porrada. Escute e comprove. Carnavalcore. A guitarra "cantando" a música o tempo todo. "Tanto fez, tanto faz". Outra porrada. Cara, que disco. A diferença que desta vez a porrada tá mais concentrada no refrão. E eles não param. "Ó você dizendo" é mais um samba cheio de distorção de guitarra. Como eu gosto disso. Até que o disco desemboca novamente num momento mais lento e reflexivo. "Sonhando com o verão", "Circule seu sangue" e "Está na cara", esta última chega a ser sombria de tão sóbria. E fecham com "Tão forte". Sambinha mais comportado pra fechar, dividindo o vocal com uma voz feminina. Se eu descobrir depois eu falo.
Baixe aqui: http://www.roneijorgeeosladroesdebicicleta.com/
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
Melhores Álbuns Nacionais - 2009 - parte II
Depois de comentar alguns discos bacanas do ano que não entraram na minha lista, agora comento os 15 melhores discos do ano na minha humilde opinião... Primeiro a lista:
1- Uhuuu! - Cidadão Instigado
2- C_mpl_t_ - Móveis Coloniais de Acaju
3- Vagarosa - Céu
4- No chão sem o chão - Romulo Fróes
5- Sem Nostalgia - Lucas Santtana
6- Frascos, Comprimidos, Compressas - Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta
7- Certa manhã acordei de sonhos intranquilos - Otto
8- Banda Gentileza - Banda Gentileza
9- Zii & Zie - Caetano Veloso
10- Atlântico Negro - Wado
11- Como num filme sem um fim - Pública
12- Tudo que eu sempre sonhei - Pullovers
13- Sweet Jardim - Tiê
14- A passeio - Porcas Borboletas
15- Life is a Big Holiday for us - Black Drawing Chalks
Menção ao disco Nova Onda Caipira do Charme Chulo que não coloquei na lista nem fiz nenhum comentário por ter escutado somente 2 vezes o álbum que merecerá em breve uma postagem aqui no blog. Segundo disco da banda que mistura rock com música caipira de raiz (não confunda com o som dessas duplas de pop-sertanejo). Escuta aí: http://www.myspace.com/charmechulo
Vamos aos comentários!
15 - Life is a Big Holiday for us - Black Drawing Chalks
Ótimo disco de stoner rock do quarteto de goiânia. Talvez alguns não concordem, mas esse disco, se fosse analisado somente pela qualidade, deveria estar numa posição melhor. Mas por se tratar de uma lista de discos nacionais, não quis colocar nas primeiras posições um disco puramente inspirado em bandas americanas como o Queens of the Stone Age. Já li gente falando que é "stoner rock com um toque brasileiro"... Meus ouvidos não captaram tal toque...
Enfim, o disco é muito bom, som de qualidade, puro rock como não é feito aqui no Brasil. Todas as letras são em inglês e... bem, acho que é isso. Espero que voltem ao Rio em 2010.
Dá pra escutar tudo aqui: http://www.myspace.com/blackdrawingchalks
14 - A Passeio - Porcas Borboletas
Segundo disco da banda mineira que se destaca por se utilizar de letras com bastante traços poéticos, alguns momentos declamadas, além de possuir uma musicalidade que vai para onde a letra pedir. Sendo assim encontramos desde rock propriamente dito ("Menos"), algo mais experimental com sons instigantes e delicados ("A Passeio"), coisas como "Tem Gente" que não consigo classificar devido a sua complexidade objetiva e até um quase bolero ("Beijo Menta"). Mas as melhores na minha opinião, além da já mencionada "Tem Gente", são "Sinto Muito" e "O Rato".
Destaque para as participações no disco da atriz Leandra Leal e de Arrigo Barnabé, mais um gênio da nossa música.
Escute tudo e chegue as suas conclusões no site deles: http://www.porcasborboletas.com.br/?md=apasseio
Se gostar, download aqui: http://compactorec.foradoeixo.org.br/
13 - Sweet Jardim - Tiê
Belíssimo disco de Tiê! Melodias maravilhosas, bem delicadas e muito bem trabalhadas. O título do álbum diz tudo. Boa parte das letras pairam numa suave melancolia que encanta os ouvidos. Destaque para as 4 primeiras canções, "Assinado Eu"/"Dois"/"Quinto Andar"/"Passarinho". Esta última fazendo referência a ela mesma, acredito. Brinca com o fato de ter nome de passarinho, como ela. Toquinho participa na última música, "Sweet Jardim", nos violões.
Dá pra escutar algumas aqui: http://www.myspace.com/tiemusica
Mas com um pouco de esforço, você encontra todo resto até mesmo para download né? Vale muito!
12 - Tudo que eu sempre sonhei - Pullovers
Disco muito do bom dos paulistas do Pullovers. Confesso que ganhou força na lista por ter 4 músicas acima da média que eu colocaria entre as melhores do ano de 2009, mas sem dúvida um disco muito bom como um todo. As músicas acima da média são: "Tudo que eu sempre sonhei", abre o disco, a melhor/ "Marcelo ou eu traí o Rock", letra muito bem construída, interessante, forte; musicalmente muito boa, sem firulas, firme, acompanha bem a letra/"Futebol de Óculos", a letra é bem legal, uma cantada se utilizando de termos e gírias do futebol/"Semana", a introdução vale a música.
Entre aqui para escutar, baixar, o que achar melhor: http://pullovers.com.br/?page_id=6
11 - Como num filme sem um fim - Pública
Álbum que demorei pra gostar. Num primeiro momento parece só mais um disco, como outro qualquer. Mas, conforme você vai escutando com mais atenção, de forma cuidadosa, encontra muito talento nessa banda gaúcha. Ganhadores do VMB, se não me engano categoria banda alternativa. Faço uma lista enorme de bandas mais alternativas que eles, acho o seu som não muito longe do convencional, porém muito talentoso. As músicas de destaque:"Quarto de Armas" (abre muito bem o disco), "Vozes" ( uma pegada muito boa desde o ínicio, piano, backing vocal), " Como num filme sem um fim" ( mais uma introdução boa se utilizando do piano, vai ganhando força, violinos... a melhor) ,"Último Andar" (início que mais parece música do Michael Jackson mas que tem uma progressão legal e mais uma instrumentação caprichada) e "Justiceiro" ( segue a mesma linha das outras mencionadas, um pouco mais pesada, uma guitarra mais presente, batida firme e forte). Ah, "Luzes" fecha o disco num nível altíssimo, fato muito difícil. Solos maravilhosos no final, coisa de gente grande.
Nunca li nada sobre comparações com a banda de rock mais famosa do Rio Grande do Sul, os Engenheiros, e acho isso muito bom já que eles hoje possuem uma sonoridade própria, mas acredito que foram de alguma forma influenciados por Gessinger e companhia...
Baixe o disco aqui: http://www.publicaoficial.com/
ou aqui: http://www.myspace.com/publicarock
Até o top 10!
sábado, 19 de dezembro de 2009
Melhores Álbuns Nacionais - 2009 - parte I
Conforme combinado, inicio agora minha lista de melhores álbuns nacionais de 2009 segundo minha opinião e audição. Provavelmente alguns discos não foram ouvidos por minha pessoa com a devida atenção ou nem sequer foram ouvidos... Como já foi comentado anteriormente, a "safra" 2009 está muito boa em qualidade e em quantidade.
Nessa parte I, eu mencionarei os álbuns relevantes, que não entraram na lista mas que merecem sem dúvida sua audição:
ORQUESTRA BRASILEIRA DE MÚSICA JAMAICANA
Ótimo EP dessa Orquestra idealizada pelo músico e produtor Sérgio Soffiatti e o trompetista Felippe Pipeta. A idéia nesse primeiro trabalho é tocar alguns clássicos da música brasileira nos estilos de música jamaicana de raiz, principalmente o ska. E fazem isso com muita propriedade. Abrindo o EP, introdução clássica de "O Guarani" de Carlos Gomes e, fazendo referência a "Voz do Brasil", uma voz anuncia: "Em Brasília, hora de dançar... SKA!". Depois o que se ouve é muito ska... os músicos são muito bons e a transposição dos clássicos nacionais ("O Guarani", "Tico-tico no Fubá" e "Águas de Março" são destaques) para o ritmo jamaicano foi tão bem feita que agrada até quem não é muito ligado aos sons da jamaica, como eu. Só uma música é de autoria deles, "Ska Around the Nation". Está previsto para 2010 o primeiro disco deles. Provavelmente estará na minha lista do ano que vem.
Escute no http://www.myspace.com/obmjska. Lá dá pra baixar o EP também.
COPACABANA CLUB - KING OF THE NIGHT 
Mais um EP. A banda é de Curitiba e mistura música eletrônica para dançar com pitadas de indie rock. Bem interessante. Todas as letras são em inglês e a banda ganhou certo reconhecimento por ter uma das suas músicas, "Just Do It", como trilha de um comercial da Fox.
Escute tudo no myspace deles: http://www.myspace.com/copacabanaclubmusic
ANA CAÑAS - HEIN?
Segundo disco de Cañas, este com uma pegada mais rock e várias composições com dois gênios: o eterno titã Arnaldo Antunes e o mutante e grande produtor Liminha. Acho que a pegada mais rock está explicada né? Algumas baladinhas/músicas mais introspectivas na meiuca quebram um pouco o início devastador do disco com "Na multidão" e "Coçando" mas nada que tire o mérito desse bom álbum. "Chuk Berry Fields Forever" do Gilberto Gil e "Gira" também são boas pedidas.
Dá para escutar tudo no site dela: http://www.anacanas.com/
ARNALDO ANTUNES - IÊ IÊ IÊ
Como disse agora pouco, Arnaldo Antunes é gênio. E decidido a resgatar um rock mais jovem guarda que em vários momentos lembra a sonoridade inicial dos Titãs ainda do Iê-Iê, ele cria esse belo disco que conta com a participação de outras peças importantes na atual fase da música brasileira: Curumin na batera e Fernando Catatau(Cidadão Instigado) na produção. Além deles, a companhia inseparável do guitarrista Edgar Scandurra.
"Iê Iê Iê" foge do experimentalismo dos discos solos anteriores de Arnaldo. A sonoridade e as letras não são tão complexas. Mas de forma alguma estamos escutando um tributo ao som sessentista e sim uma renovação desse som com uma roupagem contemporânea. E a missão foi cumprida com louvor. Composições com os tribalistas Carlinhos Brown e Marisa Monte além de parcerias com o pessoal dos Titãs que estavam engavetadas.
Várias se destacam: A abertura com "Iê Iê Iê", "Aonde Você For", "Vem Cá" , "Invejoso", "Sua Menina" e por favor não deixe de escutar "Um Kilo". Pra falar a verdade, escute o disco inteiro o mais rápido o possível. É só entrar no site dele: http://www.arnaldoantunes.com.br/
VIVENDO DO ÓCIO - NEM SEMPRE TÃO NORMAL
Tudo bem, o novo disco do Vivendo do Ócio é praticamente o "Teorias de Amor Moderno" de 2008 com algumas faixas a mais e as outras com uma produção mais caprichada... Mas os caras estão fazendo com muita competência um rock que lembra muito o Arctic Monkeys e receberam com justiça o prêmio de banda revelação no VMB da MTV (um dos poucos prêmiados com jutiça).
Escutem as clássicas "Terra Virar Mente", "Meu Precioso", "Fora, Mônica", "Hey!Hey!" e a nova "Rock Pub Baby". Tudo no myspace deles: http://www.myspace.com/vivendodoocio
E como seria bom se eles abrissem o show do Franz Ferdinad em março na Fundição... Sonhar não custa nada...